26 março 2017

Museu Imaginário 2.

Releitura de André Mauroux.

Edição 2017 do "Museu Imaginário". Releitura. 
Caixa com material educativo da Fundação Bienal.

"O Museu de Arte hoje
    
O museu é um sistema complexo modelado por múltiplas dimensões: tradição, espetáculo, lugar político, promoção social, arena para processos de ação sociocultural, especulação, coorporação, experiência. Esse artigo de Martin Grossmann, professor do Departamento de Artes Plásticas da USP e curador-coordenador do Fórum Permanente, fornece bases para o entendimento da condição contemporânea do museu.
Como ponto de partida poderíamos dizer que o museu de arte hoje é, simultaneamente, uma tradição, um espetáculo, um lugar político, uma promoção social, uma arena para processos de ação socio-cultural, uma especulação, uma coorporação, uma experiência, bem como alegoria ou metáfora para a explanação, criação e manutenção de outras dimensões de conhecimento.
O museu se configura assim como complexidade, grandeza modelada por múltiplas dimensões.
Alguns pensamentos são referenciais no entendimento dessa complexidade.

Começamos pelo museu imaginário de André Malraux uma vez que essa proposição é percursora da hiperealidade, entendimento de um "real" constituído na interação entre o mundo material e o virtual. Trata-se de um "museu sem paredes", uma espécie de condutor errante da arte formalizado, pelo autor, em primeira instância no formato de livro de arte. 

Na passagem da década de 50 para a de 60, ao explorar as relações entre a fotografia e as técnicas de impressão, ambas em contínuo aprimoramento, Malraux promove com o museu imaginário a eliminação dos enquadramentos, tanto da pintura, da escultura, como também da própria arquitetura. Ou seja, essa metamorfose ocorrida no "entorno das obras" que o museu abriga se dá principalmente devido ao efeito da fotografia não só na percepção da arte mas do espaço que a reifica, o museu. Isso se deve a própria característica da fotografia que, com seus recursos, é capaz de transcender os limites da representação, seja através das possibilidades de registro como de publicação.Malraux, portanto, procurou localizar e explorar o impacto dessa nova tecnologia na percepção humana. Ele acreditava que uma nova percepção da arte era iminente e que os livros de arte eram os percursores dessa transformação. Em suma, os avanços tecnológicos de época revelam um poderoso imaginário latente no indivíduo. Malraux nesse sentido não tece uma crítica ao museu da cultura material mas adiciona uma nova e contemporânea ala nesse complexo. Em relação ao museu, a sua intenção era a de investigar um novo "envelope" capaz não só de promover um contexto diferenciado para as obras de arte que esse abriga como também de alimentar novas razões de ser para ambos, museu e arte.

Considerando o existencialismo de Malraux, o museu imaginário possibilita "uma enigmática libertação do tempo de todas as obras que ele seleciona", o que indica que esse ambiente ou predisposição promove a vida em contraste com a morte, ambas condições associadas à simbologia, à etimologia e à experiência do museu.

..."


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